Compreendendo o transtorno obsessivo compulsivo em profundidade
As obsessões pertencem à esfera do pensamento e das ideias, e as compulsões à esfera das ações e comportamentos.
São pensamentos, ideias, imagens e impulsos indesejáveis, intrusivos e repetitivos. A pessoa percebe estes pensamentos como sendo sem sentido, inaceitáveis e de difícil controle. Estes pensamentos geram ansiedade, sofrimento e a necessidade de neutralizá-los, o que gera a compulsão.
São comportamentos ou ações repetitivas: lavar as mãos várias vezes, tomar banhos prolongados, verificações de portas e janelas, colocar coisas em ordem e simetria, rezar, contar, esfregar as mãos, piscar os olhos, limpar excessivamente.
O ato compulsivo com seus rituais tem por objetivo diminuir a ansiedade, mas o transtorno apresenta-se de forma circular: as obsessões desencadeiam as compulsões, que por sua vez reforçam ainda mais as obsessões, num encadeamento sem fim.
É uma doença de tipo crônico, em que 50% dos casos desenvolvem-se a partir de uma situação traumática e os outros 50% aparecem sem associação alguma com evento traumático. A doença pode se manifestar de forma abrupta, ou de forma lenta e gradual.
O TOC se instala como doença no início da adolescência ou no início da idade adulta, mas também pode se desenvolver a partir da infância.
Não existe restrição com relação à classe social, raça e sexo.
Predisposição genética, somada a transtornos do desenvolvimento infantil e fatores ambientais.
Algumas características do TOC podem ser consideradas como fazendo parte do processo natural do desenvolvimento infantil. Por exemplo: são normais alguns rituais da infância como o de colecionar figurinhas, carrinhos, bonecas, andar sempre pisando em determinadas linhas do chão, pedir para o adulto contar a mesma história dezenas de vezes, contar alto, cantarolar a mesma musiquinha várias vezes, ver o mesmo filme várias vezes. Isto tudo acaba por ajudar no desenvolvimento da criança.
Já em casos em que são observadas atitudes e comportamentos em que a criança se atrasa porque teve que repetir determinada ação, não consegue sair de casa, apresenta gestual repetitivo com as mãos ou pernas, uma lentidão obsessiva, faz e refaz um dever para chegar à perfeição, escreve e apaga várias vezes um dever sem conseguir terminar, nestas situações e outras em que os pais observem prejuízos no desenvolvimento de uma rotina saudável da criança, devem buscar ajuda.
Em alguns casos de rituais em adultos, também podem ser aceitos rituais que a mulher desenvolve após o nascimento de seu filho. Desenvolve-se na mãe um estado de alerta que faz com que ela verifique várias vezes como está o bebê: se está vivo, se está respirando, se está com fome, se está com frio, se está se mexendo. Estas atitudes são muito importantes nesta fase para a própria sobrevivência do bebê. Torna-se um problema se a partir daí venha a se desenvolver o Transtorno Obsessivo Compulsivo.
Já pode se perceber o envolvimento do TOC com o medo e a ansiedade.
Pode também estar associado a: Depressão, Fobias, Transtorno do Pânico, Transtornos Alimentares, Distúrbios do Sono, Transtornos de Tiques e Dependência Química.
O Transtorno de Personalidade Obsessiva Compulsiva não pode ser confundido com o TOC. As pessoas que apresentam este transtorno são pessoas escrupulosas, com mania de limpeza, de arrumação, são perfeccionistas, fazem e refazem um determinado trabalho e mesmo tarefas domésticas. Buscam sempre fazer tudo bem e com perfeição. Apresentam dificuldades para sentir prazer em geral, mas não apresentam obsessões e compulsões. Não apresentam rituais. A pessoa simplesmente é assim.
Algumas compulsões não são consideradas como TOC, como por exemplo:
Não são consideradas como TOC pelo fato de a pessoa não ter consciência de que suas atitudes e comportamentos são inaceitáveis, sem sentido, absurdos e inadequados, ao contrário do que ocorre no TOC, em que a pessoa tem consciência da inadequação de seus comportamentos e pensamentos.
O TOC traz grande sofrimento e, apesar disso, as pessoas levam muitos anos para procurar ajuda.
Consequências: incapacidade de viver uma rotina normal, destruição das relações familiares, baixa autoestima, sentimentos de vergonha, necessidade de esconder a doença e os sintomas, perda de emprego, destruição de relacionamentos afetivos, isolamento e depressão.
Na neurose obsessiva compulsiva, o Ego é obrigado a fazer e a pensar, ou omitir coisas, ou será ameaçado por perigos terríveis. Ocorre regressão para a fase anal-sádica, surgindo conflitos entre agressividade e docilidade, crueldade e bondade, sujeira e limpeza, ordem e desordem.
Para a Psicanálise, a aprendizagem dos hábitos de higiene na infância é muito importante para o desenvolvimento da relação entre o Ego da criança e seus impulsos instintivos. Assim, a forma como os pais ou responsáveis lidarem com este aprendizado pode determinar um desenvolvimento positivo ou criar problemas futuros.
Além do processo de regressão, participam outros mecanismos de defesa como:
A hostilidade do neurótico obsessivo compulsivo acaba transparecendo em situações em que ele acredita estar protegendo pessoas queridas de riscos imaginários.
Chegam a ser tão insistentes e obcecados que acabam por aborrecer e atormentar estas pessoas, ao invés de protegê-las.
Não suportam mudanças de rotina e mudanças em seus rituais e sistemas, e querem que as pessoas próximas participem de seu sistema compulsivo. Isto acaba por gerar irritação e desgaste nas relações familiares, provocando afastamentos e rompimentos.
Como os pensamentos se encontram isolados das emoções correspondentes, a atitude física também fica isolada das emoções.
Aparece então: rigidez física, frieza, impassividade, espasmo muscular localizado ou generalizado ou então frouxidão física.
Remorso por aquilo que fez, penitência, novas transgressões.
Remorso novamente, penitência, novas transgressões e assim sucessivamente.
Preparam-se para um futuro que nunca chega. Não vivem o presente.
Apegam-se aos seus sintomas, já que são conhecidos, temendo as modificações por serem consideradas como perigosas.
O medo da mudança também pode gerar atitude inversa: mudar incessantemente. Por exemplo: nunca terminar uma tarefa e começar outra, começar uma obra e nunca terminar, começar nova obra.
A pessoa que sofre de TOC se utiliza das outras pessoas ou de situações para aliviar seus conflitos internos, assim obscurece os seus verdadeiros sentimentos.
O desenvolvimento das relações objetais maduras é muito complicado e difícil. Sua atitude é insegura e ambivalente com relação a si mesmo e em relação aos objetos: gosta e não gosta, quer e não quer.
Suas emoções apresentam-se de forma inautêntica e morna. Na maior parte das vezes encontram-se isoladas.
Para a pessoa que sofre deste transtorno, a angústia de não fazer o que a mente impõe, o que o Ego ordena, é pior do que repetir os rituais por dezenas de vezes. Costumam levar muitos anos para procurar tratamento, sempre tentando esconder seus sintomas e seus rituais.
A demora no tratamento leva à intensificação dos sintomas. Casos mais recentes apresentam melhor prognóstico, daí a importância de buscar ajuda o quanto antes.
Através do tratamento, os sintomas podem ser controlados e minimizados. São utilizados medicamentos prescritos pelo médico psiquiatra, associados à psicoterapia.
Com o uso continuado das medicações, os sintomas e a ansiedade vão diminuindo, o que facilita o trabalho psicoterápico.
É muito importante no tratamento do TOC o envolvimento da família, para que ela possa lidar melhor com os sintomas do paciente e também com o seu próprio sofrimento.
Observação: nem todos os Transtornos Obsessivos Compulsivos apresentam-se da forma descrita anteriormente. O objetivo da descrição é o de dar uma ideia da sintomatologia, para que aqueles que sofram de obsessões e compulsões (rituais) não adiem seu tratamento.
Quanto mais cedo, melhores os resultados.
Se você ou alguém que você conhece está enfrentando sintomas de TOC, entre em contato para agendar uma consulta. Estou aqui para ajudar no seu processo de tratamento e recuperação.
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