Compreendendo profundamente o Transtorno do Pânico
Quando a ANSIEDADE ou o ESTRESSE atingem um nível muito elevado, a pessoa apresenta vários sintomas emocionais e físicos, e muitas vezes é levada à emergência hospitalar com taquicardia, falta de ar, suores, tremores e um medo muito grande de morrer. Surgem a angústia e os medos de sair de casa e ter uma nova crise, de dirigir e passar mal, de viajar, de trabalhar, enfim a vida atrelada a um estado constante de apreensão.
O que vem a ser PÂNICO? A palavra parece assustar por si só muitas pessoas.
Seu significado no dicionário: medo e susto súbitos e infundados. Ao perceber sensações como taquicardia, falta de ar, tontura, sensação de desmaio, imediatamente a pessoa relaciona estas a algo muito grave.
Assim a ansiedade vai aumentando cada vez mais, provocando mais sensações e mais medos, até atingir um pico máximo (PÂNICO).
Após algum tempo, as sensações começam a decrescer até cessarem por completo. A partir daí desenvolve-se na pessoa um estado de vigilância constante, como, por exemplo: verificar se seu coração está batendo descompassadamente, medir a pulsação, verificar se está transpirando muito etc... Assim passa a evitar algumas situações ou atividades como: fazer exercícios, caminhar, ter relações sexuais e outras tantas atividades.
Ou seja, começa a se sentir como uma prisioneira de suas próprias sensações.
O Transtorno do Pânico está classificado dentro dos Transtornos de Ansiedade no DSM IV - Classificação da Associação Norte Americana de Psiquiatria.
Caracteriza-se por um conjunto de sensações ou de algumas sensações específicas, que ocorrem de forma abrupta e repentina, como achar que está tendo um ataque cardíaco, que está enlouquecendo, que pode desmaiar ou que está perdendo o controle. Estas sensações costumam levar a pessoa às emergências hospitalares.
A pessoa é invadida por um sentimento de apreensão e tensão. Sente que algo muito grave está prestes a acontecer, como enlouquecer ou morrer. Este sentimento vem acompanhado de algumas ou muitas sensações físicas ou somáticas, tais como:
O Transtorno do Pânico pode também estar associado à AGORAFOBIA, então, além destes sintomas descritos acima, aparecem:
O Transtorno do Pânico está associado à Depressão em 50% a 65% dos casos. Foi observado no tratamento de pacientes com o Transtorno, que apesar do primeiro ataque de Pânico aparecer de forma súbita e inesperada, estes pacientes já haviam passado por acontecimentos envolvendo perdas, episódios depressivos, ou situações muito estressantes com significado de perigos futuros.
Podem ser periódicos (podem ocorrer inesperadamente e em várias situações) repletos de sensações físicas e emocionais.
O Transtorno do Pânico, como os ataques ou crises de Pânico, vêm sendo tratados como sendo um mal dos tempos atuais, devido às exigências e expectativas da sociedade moderna e da vida urbana nos grandes centros.
O aumento da ansiedade e do estresse, sem dúvida, pode contribuir para o desencadear de uma crise de Pânico ou para seu agravamento, mas não é um transtorno da modernidade. Já em 1895, Freud descreve em seu trabalho a Angústia e o Pânico.
A Neurose de Angústia foi descrita por Freud em 1895 em (Inibições, Sintomas e Angústia).
Segundo a Teoria Freudiana, inicialmente, o bebê se encontra em estado de desamparo. Recebe excitações tanto internas quanto externas e ainda não é possível ter o controle destas excitações, ou seja, seu organismo se vê inundado por sensações que ainda não podem ser definidas.
Se estabelece, então, a Angústia, que é uma vivência traumática para o bebê (Fenichel).
Mais tarde, esta angústia que foi estabelecida, passa a ser reativada por situações de difícil controle para o Ego, e de intensa excitação do organismo. Quando o Ego aprende a controlar estas excitações vindas de dentro ou de fora, utiliza-se de medidas protetoras contra eventuais perigos.
Na Neurose de Angústia ou Angústia Neurótica, ao invés do Ego utilizar as medidas protetoras contra o estado traumático (Angústia), precipita este mesmo estado. É o Pânico! O Ego mesmo produziu algo que não pode controlar.
Pode-se falar em disposição latente para o desenvolvimento do Pânico. São pessoas que vivem em estado constante de tensão, assim qualquer percepção de perigo feita pelo Ego, dispara o estado de Pânico.
Fenichel distingue três diferentes estados:
Segundo a Neurobiologia, nosso organismo apresenta um sistema de alerta (função cerebral) que funciona sempre nas situações que exijam luta ou fuga, para reagir à ameaças e perigos como, por exemplo: desviar de um carro desgovernado, evitar o ataque de algum animal, segurar rapidamente uma criança prestes a cair de algum brinquedo etc.
O que ocorre nas crises de Pânico? Este sistema de alerta que possuímos é ativado sem haver necessidade. Não existem ameaças concretas. Assim surgem reações intensas e desnecessárias.
Observa-se então a importância de se ter uma visão que associe os dois fatores: os fatores Psíquicos (Psicanálise) associados aos fatores Neuroquímicos (função cerebral / Neurotransmissores). Esta visão mais ampla e abrangente do Transtorno é a que orientará o tratamento.
Grandes são os prejuízos para as pessoas que sofrem de crises de Pânico. Começam a evitar todas as situações que acreditam poder precipitar estas crises. Deixam de sair de casa com medo de passar mal, deixam de viajar de avião ou de carro, de andar de elevador, de ir a shoppings, cinema, teatro, shows etc.
Passam também a se isolar, evitando encontrar pessoas, preferindo ficar em casa, mas sempre com alguém, por temerem passar mal e não ter ninguém para socorrer. Quando são obrigadas a sair, procuram se munir de muitas garantias, tais como se podem sair do local com facilidade, verificam portas e saídas, se o local é em andar baixo ou alto, se terá que utilizar o elevador etc.
Normalmente a pessoa não percebe que suas variadas sensações estão ligadas ao seu estado emocional/psicológico/ansioso. Antes de buscarem a ajuda de um profissional da área de Psicologia ou Psicanálise, buscam o médico Cardiologista, o Neurologista, o Clinico Geral.
A questão que surge é que a maioria das pessoas que apresentam o transtorno dificilmente aceitam tratamento, considerando inaceitável que apresentem algum problema de origem emocional. Levam bastante tempo sofrendo e fazendo uma verdadeira "via crucis" a vários médicos de diferentes especialidades, até que concluam que seus problemas não são sinal de fraqueza, mas sim que o organismo como um todo pede socorro.
Está indicado o tratamento com psicoterapia para Transtorno do Pânico, tanto com, ou sem Agorafobia.
Serão trabalhados durante o processo vários conflitos que chegam até o paciente através da ansiedade. Como, por exemplo, conflitos ligados a perdas, à sexualidade, à agressividade, mecanismos de defesa que são ativados para aliviar a ansiedade, problemas de relacionamento com o parceiro ou nas relações familiares e interpessoais, frustrações, decepções, ressentimentos, estresse, raiva projetada contra o meio ambiente, desejos de dependência.
A este tratamento ainda são associadas técnicas de Terapia Comportamental, de respiração e relaxamento. Ao mesmo tempo em que são trabalhados os conflitos, a respiração é controlada, já que se torna acelerada durante as crises. As técnicas de relaxamento permitem uma tranquilização e acesso ao corpo como totalidade.
Em casos mais intensos ou graves, em que a vida da pessoa está comprometida e prejudicada pelo transtorno, associa-se ao tratamento psicoterápico, o uso de medicações indicadas e prescritas pelo médico Psiquiatra.
Com o auxílio da medicação, os sintomas diminuem e o trabalho da psicoterapia torna-se mais efetivo, já que conta com mais disponibilidade interna do paciente em cooperar e elaborar seus conflitos.
Se você ou alguém que você conhece está enfrentando sintomas de pânico, entre em contato para agendar uma consulta. Estou aqui para ajudar no seu processo de recuperação.
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